terça-feira, 20 de julho de 2010
Sobre estar sozinho contra todos.
"…é estranho, mas cada vez que gosto de alguém, acabo estragando sempre tudo… Mesmo quando me desejam. Acho que ela gostou de mim. Já deve ter namorado. Têm sempre um namorado. A vida é como um túnel. E cada um tem o seu próprio túnel. Mas no final do túnel, nem sequer existe uma luz.
Pois é, não há nada. Até as memórias desaparecem no final. Os velhos sabem bem disso. Uma pequena vida, pequenas economias, uma pequena velhice…e depois um pequeno caixão. E tudo isso pra nada. Tudo para nada.
Até os filhos. Quando os seus pais não têm nada para lhes dar, os colocam num asilo até que apodreçam sozinhos e em silêncio. Mas os filhos estão se lixando pra isso.
O amor filial é um mito. À mãe, só se quer bem enquanto der leite. Ao pai enquanto dê dinheiro. Mas quando os peitos da mãe estão secos, quando os bolsos do pai estão vazios, a única coisa que fica para fazer é…coloca-los num armário, esperando que morram rápido e pelo menor custo. Assim são as coisas.
É a lei da vida. Só quando existe uma herança é que os filhos fingem ser amigos. Mas quando a única herança é uma geladeira ou uma televisão…nem sequer vale a pena simular. Somente o mínimo indispensável para ficar com a consciência em paz. Uma visita por mês…umas lágrimas no velório, e dever cumprido. O amor e a amizade são pura ilusão. São ilusões para esconder o fato das relações humanas serem meros pequenos negócios. Falar de amor e amizade é conveniente mas simplesmente por cálculo.
A realidade é muito mais banal. Gosta da sua mãe porque te alimenta e evita que morra. Do amigo porque lhe dá um trabalho que lhe permita comer e evitar que morra. Da sua mulher porque cozinha para você e lhe esvazia os culhões e lhe dá filhos que cuidem de ti quando ficar velho e tenha medo de morrer.
Mas basta uma bofetada num filho, para que este se vingue quando for mais velho.
A bofetada. Será sua ferramenta. Quando te colocarem num asilo será a desculpa para o desinteresse que sentem pelos seus progenitores. Não! eu não quero esse bebê! E com certeza que é recíproco. Não, decididamente foder não vale a pena. Sai muito caro. Mas ajuda a passar o tempo. E quando perder a vontade de foder, nota que não há mais nada para fazer no mundo. E que na realidade não há mais nada nesta puta de vida. Nada mais do que um programa de reprodução nas suas entranhas que cada um se vê obrigado a respeitar. Nascer contra a sua vontade. Comer. Enfiar a pica. Dar vida. E morrer. A vida é um grande vazio. Sempre o foi e sempre o será.
Um grande vazio que poderia perfeitamente continuar sem mim. Mas eu não quero jogar mais este jogo. Já não dá mais. Agora quero viver algo de pessoal, algo intenso. Não quero ser mais a última peça sobressalente de uma enorme máquina. No dia em que eu morrer não quero ter a impressão de que fiz a mesma merda que milhões de caras que se amontoam neste planeta..ou seja que o cara mais ridículo tenha vivido o mesmo que eu.
Tenho que encontrar uma razão, um pretexto, o que seja…algo que me motive para continuar outros 20 anos antes de morrer. Se pudesse começar uma nova vida acho que me dedicava a fazer filmes pornô. Pelo menos aí as coisas são claras. Quem os faz entende perfeitamente a essência da nossa espécie. Se nasce com uma piroca, só será útil se enfiar a piroca grandiosa em tudo o que é xana. Se nasce com uma xana só será útil se a preencher com uma piroca. Mas em ambos os casos, está completamente sozinho. Quanto a mim, sou uma piroca. É isso(…).”
Sem mais.
PS: Dica do CabineCelular
"O tempo destrói tudo." (Seul Contre Tous - Gaspar Noé)
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Sobre saudades
Para variar, mais um Post demorado e um tanto quanto desnecessário. Desnecessário, pois depois de tanto tempo não sei se vale tanto a pena contar tudo o que aconteceu nesse período de 7 meses.Ou melhor, não dá pra contar tudo o que aconteceu nesse período.
Resumindo: eu passei naquele tal de vestibular.Algo tão pequeno que faz uma puta diferença na sua vida de classe média.E posso listar algumas mudanças que me ocorreram desde então:
- Mudei de cidade.
- Perdi meu cabelo
- Perdi minha fisionomia
- Perdi até meu nome
- Perdi alguns dos bons amigos que eu tinha.
- Ganhei alguns novos bons amigos
- Perdi algumas pessoas que,na verdade, nunca tive.
- Virei um péssimo estudante
- Bebo com freqüência e freqüentemente sozinho.
- Ganhei Liberdade
Essa nova fase de muitos altos e baixos, que me faz lembrar bastante o começo de “Pale Blue Eyes” de Lou Reed (“sometimes I feel so happy, sometimes I feel so sad”), apesar de tudo,é ótima.
Olha, agora tenho um tempo para mim que não sei se realmente eu tinha passado!E você cresce muito rápido quando passa a conviver com você mesmo mais frequentemente.
Talvez seja esse o motivo pelo qual não tive um primeiro semestre brilhante em 2010: demora aprender a conviver com você mesmo. Demora aceitar que você vai perder muitas coisas boas que você tinha. Demora aceitar que você vai perder algumas das poucas pessoas que te deixava feliz apenas com um sorriso.
Toda as vezes que eu voltava para cá, para minha cidade natal, eu vinha extremamente feliz e carente, querendo ver todos, conversar com todos, conversar com ela!Era demais a sensação de ver a droga dessa cidade de longe e saber que teria uns 3 dias bem felizes ali.Porém, no final , eram dias bem menos felizes do que eu gostaria.E isso me deixa, no mínimo, chateado.
Quando você se muda você percebe que nunca pertenceu àquele lugar.Ele pertenceu mais a você e suas lembranças do que o oposto.Você pensa que tudo parou depois que você foi embora, mas na verdade as coisas se aceleraram de tal forma que você nunca mais conseguirá alcança-las novamente.E você deve aceitar isso.
Felizmente, nessa semana eu aprendi a aceitar tudo isso.
Minha nova cidade é minha nova casa.Não vou mais subestimá-la ou esconder o meu melhor dela.É lá, e somente lá, onde pertenço.
Então vamos lá D.!Seja o melhor médico daquela droga de cidade.Tenha a melhor namorada daquela droga de cidade e beba tudo o que puder no menor tempo possível naquela droga de cidade.
Mas ainda assim, acima de tudo que eu perdi eu ganhei algo que é o motivo por que escrevo.É o motivo pelo qual ainda pensarei em tudo isso.É o motivo pelo qual eu sempre deixarei um pé atrás para tudo.É o motivo pelo qual sempre esperarei uma ligação.
- Saudades
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...” (Pablo Neruda)
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Sobre 2009 problemas.
Well, faltam alguns minutos para o fim do estranho ano de 2009.Não estou em uma festa, nem com amigos e nem com 1/20 da minha família.É praticamente eu e o "What's the Story(Morning Glory)" tocando ao fundo.
O último Reveillon foi bastante diferente: estava com cerca de 20 amigos bêbados em uma cidade qualquer e fazendo qualquer coisa.Foi interessante e um tanto quanto mágico.Lembro de brindar com uma champagne de 15 reais e um copo de plástico e dizer (com aquela voz de bêbado) "E começa o pior ano da minha vida!"
Infelizmente, eu estava razoavelmente certo.
Vestibulares, cursinho, vida social sacrificada, problemas na família (como nunca antes), mortes de amigos,alguns conflitos e resoluções amorosas.Resumindo: os problemas de sempre, mas amplificados totalmente.
Eu poderia listar todos esse percalços,porém faltam 20 minutos e não quero perder mais tempo com isso.
Entretanto, apesar de um pequeno "pause" com meus velhos amigos, 2009 me proporcionou conhecer diversas pessoas que são imprescindíveis para mim atualmente.Talvez o fato desses meus novos amigos possuírem objetivos próximos dos meus tenha ajudado a essa nossa "união".Anyway, é por eles, e somente por eles, que 2009 não pode ser considerado um ano deveras ruim.
Agora faltam 9 minutos (às vezes digito bem devagar).Os primeiros fogos começam a explodir e a deixar todos os cachorros da vizinhança em alerta.
Como diria alguém que aprendeu muitas coisas comigo "nada de frases clichês de reveillon".
Pois então, não cometerei mais nenhum clichê de reveillon por hoje.
Já escuto os gritos dos primeiros bêbados felizes pela rua (ano passado foram os meus gritos).
5 minutos...
Boa noite, senhores!Cheers (again)!
PS: Meus últimos posts foram pessoais, pretendo mudar isso (e rápido!).
PS (2): Ou não!
"Nothing changes on New Year's Day."
(U2)
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Sobre ideias sem posts e o Natal.

Certo, há tempos que não veio aqui, mas ninguém sentiu falta disso...muito menos eu.
Talvez o "espírito natalino" tomou conta de mim e me fez digitar algumas palavras sem acento nesse blog sem posts.Aliás,pensei sériamente em mudar o nome daqui para "Ideias sem posts", o que combinaria melhor com esse blog.
Não me culpem..culpem meu ano terrivelmente estranho,afinal foi o ano em que dei um "pause" em minha vida, nos meus amigos e tudo mais, e que nele, mesmo assim, aconteceram fatos que me definiram (e me definem...ainda que de forma incompleta).
Essa é a época do ano em que paro e tento pensar em tudo que fiz e no quanto estou velho(Clichê isso, eu sei, mas infelizmente todos têm seus momentos clichês).Olhe bem, Beethovem compôs suas primeiras obras aos 11 anos de idade e eu mal tenho um blog aos 18.Tudo bem que o caro Ludwig não precisou de vestibular para realizar tal feito, o invejo por isso (na verdade não).
Acho que devo falar do meu ano depois, talvez uma retrospectiva?Seria algo útil para mim e totalmente inútil para você, não perca seu tempo.
Enquanto ao Natal, aquela data preciosa na qual aguardamos presentes e comemoramos o nascimento daquele que desde pequeno transformava qualquer coisa em álcool, digo, vinho!Aquele garoto que tinha seguidores antes mesmo do twitter.That Boy!
Bem, foda-se ele e seu nascimento.
O Natal se resume a uma data na qual a maioria das pessoas procura conforto na família devido à sua incompetência durante todo o ano.
Não acredito no Natal, porém acredito na minha saudade dos meus amigos.Não falo com pessoas que nunca imaginei que deixaria de falar.E é hoje, nesse exato momento, que ligo para alguns deles para saber como estão.Alguns,inclusive, nem podem falar comigo mais (e sinto muita pena deles e de mim por isso).
O Natal se resume a lembrar de todas as minhas incompetências durante o ano.Época de remorso?Sim, afinal estamos falando de uma data católica.Todavia, ao invés de estar me desabafando na Ceia de Natal, estou aqui, digitando coisas sem muito nexo e escutando "Rocket Man".
Uau, decadência músical.
De qualquer forma, acho que vai demorar um bom tempo para que o pouso me restaure a consciência novamente.
Cheers!
PS: Na verdade, é ótimo escrever novamente.
PS (2): E aquele velho gordo de barba branca e roupa vermelha está atrasado 1 hora.
"O Natal é um estado de mente."
(Mary Ellen Chase)
domingo, 1 de março de 2009
Sobre ansiedade
Um longo tempo sem postagens, mas um período de grandes idéias.Viver e manter um blog são coisas que poucos conseguem.Eu tento, realmente tento.Esse post, além de uma retomada, é bem pessoal.Retrata eventos que espero a um certo tempo.O tempo é ambígüo
Desde quando fechei a última página de Watchmen (romance em quadrinhos dos geniais Alan Moore e David Gibbons) fiquei pensando no problema que havia encontrado: agora teria que esperar o filme como um fã apreensivo e receoso.Apreensivo porque um filme magnífico poderia sair.Receoso justamente pelo o contrário.Daqui a uma semana terei a resposta para essa dualidade (e repetirei essa parte do texto ao postar sobre o filme).
Além de Watchmen, espero por outra coisa genial que, no entanto, não me oferece grandes riscos de desapontamento: Radiohead.Devo admitir que não conhecia profundamente essa banda de Oxford a algum tempo atrás.Conhecia seus hits mas não sua importância.Desde que acompanhei o lançamento de In Rainbows, o último álbum da banda lançado em 2007, tornei-me um fã incontestável dos cabeças de rádio.Fã, porém, com os pés no chão.Sabia que as chances de uma banda desse nível chegar ao Brasil para grandes shows seria poucas, principalmente porque eles nunca vieram, nem mesmo para férias, ao Brasil.Mas março de 2009 realmente prometia.
Show confirmado e ingressos
Não sou uma pessoa ansiosa.Não espero grandes feitos das pessoas.Espero grandes momentos.
E esses momentos de março estão ocupando mais meu pensamento do que aqueles breves instantes antes de um encontro.Sinto que estou exposto ou a profundas decepções ou a grandes momentos únicos.E esse veneno é ótimo.Sim, ótimo!
Meu primeiro grande show e uma possível nova obra-prima do cinema.
O tempo é tão sangüinário e tão lento quanto o relógio de Watchmen.

"A ansiedade e o medo envenenam o corpo e o espírito."
( George Bernard Shaw)
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Sobre a falta de qualidade e seu público.

Engraçado como que nos momentos onde você não espera que vai encontrar algo interessante você o encontra.E não estou falando de algo positivo,se bem que, como diriam os Pythons: "Tudo tem seu lado bom."Estou falando do maior evento de "entretenimento" ao público brasileiro.Este,acontece 6 dias por semana,separando famílias ao úni-las em um silêncio curioso.Claro que estou falando das novelas brasileiras, oras!
Não conheço praticamente nada sobre o audiovisual brasileiro e não tenho orgulho disso.Existem grandes brasileiros talentosos no domínio dessa arte, porém, terra brasilis ainda não é uma terra propícia ao desenvolver e ao reconhecer do verdadeiro talento.Infelizmente.
Nossos grandes diretores e roteiristas em potencial,para não morrerem de fome, acabam por "criarem" (ou reciclarem,o efeito é o mesmo) histórias fáceis, de compreensão e qualidade risíveis, para agradar empresários sedentos por dinheiro e um público sedento por...nada.Essa é a questão: o público brasileiro (digo no geral,claro) não quer e nem exige nada.
Frutos disso?Bem, estava eu perambulando pela casa ao término de minha leitura de Watchmen, quando, ao chegar a sala, deparo-me com um cena da novela: a "pior vilã atualmente da TV brasileira" (na opinião de quem acompanha novela) cantando ao lado de sua inimiga.Cantando e rindo juntas(?!).Ao final disso, as duas brincam juntas como duas crianças no recreio.E o roteiro (se é que podemos chamar isso de roteiro) não leva essa situação a partir de uma sequência de fatos que culmina com tal cena.Aquilo está apenas inserido de forma seca e agressora ao intelecto do expectador que olha aquilo com um olhar descrente e, ainda sim, curioso.Não pude esconder meu constrangimento diante de algo tão mal feito e preparado.Não pude esconder meu constrangimento ao ver que pessoas da minha família, mesmo rindo e reconhecendo a cena ridícula, continuavam assistindo, com olhos vidrados como quando estou vendo Apocalypse Now.
Ao final perguntei:
- Se você tem consciência da falta de qualidade da novela, porque você a assiste?
A resposta veio rápida:
- Porque me entretem!
Perguntei novamente:
- Se passasse algo inteligente e de boa qualidade na televisão, no mesmo horário, você abandonaria a novela e assistiria esse novo programa?
- Claro, se despertasse meu interesse.
Indaguei rapidamente:
- E já procurou algo assim?
..a resposta não veio.
Essa é a síntese da maior parte do público brasileiro.Felizmente, há excessões.Só não as encontro todo dia no meu café da manhã ou qualquer horário de união que o valha.
Agora uma coisa estranha veio à minha cabeça: será que esses diretores e roteristas noveleiros são tão ruins assim?Afinal, eles conseguem manter todo um público atento e fiel ao seu show de horrores e de péssimas atuações?
Isso me faz concluir que o brasileiro é talentoso até mesmo nas coisas em que ele faz pior.
Poderia continuar falando aqui por tempo indeterminado, mas todos estão vendo televisão...
"Gosto de televisão porque ela me permite falar coisas sobre as quais não acho que valha a pena escrever."
(Truman Capote)
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Sobre o Início

Você percebe quando você precisa falar algo.Os outros percebem quando você quer falar algo.As palavras saem mesmo que, às vezes, de forma desconexa.E esse é o motivo da existência desse blog: mostrar as minhas palavras desconexas.Idéias que fazem sentido só para mim ou também, talvez, lá em Tatooine.O que esperar?Nada.Talvez falarei sobre certo filme,colocarei uma música,divulgarei um vídeo interessante(ou não),ou simplesmente falarei sobre o gato que está andando vagarosamente sobre o muro.O que importa é que a mistura de minhas divagações sobre cultura pop e cotidiano será o plot desse blog.
Sobre o nome?Outra hora.
Novas filosofias são aceitas.As velhas eu simplesmente ignoro.
"A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original."
(Albert Einstein)
